É tempo de cuidar: O SAR e as eleições 2020- As eleições municipais e seus resultados no contexto atual

 

 

                       É TEMPO DE CUIDAR: O SAR E AS ELEIÇÕES 2020 AS ELEIÇÕES MUNICIPAIS E SEUS RESULTADOS NO CONTEXTO ATUAL

O contexto da pandemia que, por negligência do governo federal, apesar do esforço de boa parte dos governos estaduais, dizimou ate o momento quase 170 mil pessoas, impediu grandes mobilizações obrigando candidatos(as) a reinventarem formas para a conquista do eleitorado. Porem, pode-se observar ainda o uso das fakes news e o antigo uso da máquina da compra de votos influenciando decisões em várias partes do Brasil, sobretudo em pequenos municípios. Também observa-se que os grandes problemas nacionais e a crise atual não passaram pelas eleições municipais, exatamente pela proximidade da realidade local e os interesses imediatos da população na base, além da “falta de consciência política” latente. Os resultados de mais uma eleição refletem também no processo, a falta de uma formação política de nossas lideranças e da população, fomentado pela falta de um trabalho de base nas comunidades que há tempos deixamos de fazer (Igrejas, Movimentos Sindicais e Sociais e os próprios partidos, sobretudo os mais vinculados à esquerda)

Averiguando de forma muito superficial os resultados deste 1º turno das eleições municipais nota-se essa fragilidade. Gostaria, pois, de trazer aqui, continuando a série É TEMPOD DE CUIDAR: O SAR E AS ELEIÇÕES 2020, algumas análises de alguns cientistas políticos, como Breno Altman, que prioriza numericamente alguns dados que valem a pena refletirmos sobre eles. Vamos aos números:

Os partidos considerados mais à “esquerda”, como PT, PSOL e PCdoB tiveram uma leve queda nos dados comparativos às eleições de 2016, apesar do PT ter crescido 2,42% e o PSOL ter crescido também, 6,4%. Porém o PCdoB puxou a esquerda mais para baixo, com uma queda de 38%, podendo ser atribuída esta queda ao fim da coligação proporcional. Vale a pena registrar que o PT na eleição 2016 tinha concorrido no segundo turno apenas em 7 municípios. Nesta eleição de 2020 mais que dobrou, disputando 15 prefeituras importantes no país.

Vale ressaltar que em números absolutos, na eleição passada estes partidos somaram 10.675.700 votos(10.82%) e neste ano 10.385.170 votos(10.33%), significando uma pequena queda no todo. Isso é importante ressaltar dentro da perspectiva dos últimos anos quando as fake News tentaram solapar estes partidos, sobretudo o PT, inclusive negando os avanços dos governos petistas na linha social, onde milhões de pessoas foram tiradas da miséria – e que curiosamente, do pós golpe para cá, não somente houve um crescimento do numero de desemprego, mas consequentemente, o Brasil volta a figurar no crescimento da pobreza e indigência, voltando a figurar no mapa cruel da fome. Os partidos considerados de “centro esquerda” (PDT, PSB e Rede) tiveram uma queda maior: de 16,03% em 2016 para 10,88% em 2020, sendo puxada para baixo pelo PSB que caiu 37,69% no numero de votos(de 8.900.00 para 5.240.000), comparados aos de 2016. Os partidos denominados de “pântano” (que mudam as regras de acordo com o seu jogo de interesses, fazendo alianças com “Deus e o Diabo”) – Cidadania, Poder e PV – aumentaram de 3,36% para 5,84% o numero de votos apesar de terem numero não muito expressivos de votos. A “direita neoliberal” (do comando do golpe de 2016) despencou no todo 38% (PSDB caiu de 17.730.000 votos para 10.700.00 votos(39,31%); MDB caiu de 15 milhões de votos para 10 milhões (27,29%)  Porém o DEM saiu fortalecido com um aumento de 68% no numero de eleitores(4.940 mil votos para 8.300 mil votos). O “centrão” (partidos fisiológicos, predadores, partidos de aluguel: PP, PSD, PL, PTB, Solidariedade, PROS e Avante) –- saiu fortalecido, sobretudo o PP e o PSD por causa dos acordos com Bolsonaro (emendas parlamentares, cargos...). O centrão pulou de 24.380 mil votos para 30.530 mil votos (aumentou mais de 6 milhões de votos). O “bolsonarismo” (Republicanos, PSL, PSC, Patriotas, PRTB) cresceu de 6,96% pra 12,85% (6.860 mil votos para 12.920 mil votos) havendo um crescimento apesar de ser este crescimento em municípios pequenos. Importante observar que apesar da queda da direita neoliberal, o aumento dos votos no centrão e no bolsonarismo foram significativos. Isso deve nos ajudar na reflexão em vista das eleições de 2022. A perda nas grandes cidades dá uma sensação que houve derrota do bolsonarismo, o que numericamente comprova-se seu crescimento e devem nos alertar para um futuro próximo. Em termos de numero de prefeituras conquistadas importante destacar: - A esquerda tinha 223 prefeituras, caiu para 137; A centro esquerda tinha 745 caiu para 565 prefeituras (a esquerda no geral que tinha 6,36% das prefeituras caiu para 4,18%). - A direita neoliberal tinha 2.111 prefeituras caiu para 1.745 caindo 32,4% - O pântano subiu de 152 para 235 prefeituras(subiu de 2,81% para 4,45%) - O centrão subiu de 1.710 para 2.095 prefeitura(de 32,6% para 39,31%) - O bolsonarismo subiu de 244 prefeituras para 467(pulou de 4.60% para 8,76%) Importante frisar que temos ainda o segundo turno e que os resultados devem ser contabilizados levando em consideração o numero de votantes por partido de cada aglomeração “ideológica”. Em relação ao número de vereadores eleitos as análises apontam: - Esquerda: cai de 3.881 para 3.337 vereadores - Centro Esquerda: cai de 7.586 para 6.569 vereadores - Direita neoliberal: aumenta de 15.832 para 16.052 vereadores - Pântano: aumenta de 2.400 para 3.108 vereadores - Centrão: aumenta de 18.386 para 21.124 vereadores - Bolsonarismo: aumenta de 4.942 para 6.254 vereadores Nestas eleições, apesar dos números, os grandes perdedores foram o PSDB e o MDB, partidos que compõem a base da barbárie desde sempre, sobretudo, na atualidade, com o golpe de 2016, passando pelas privatizações, a promoção da perda de direitos trabalhistas e previdenciários, as investidas contra as politicas sociais públicas, a destruição ambiental, a perda de valores e tudo o que há de mais atrasado na politica brasileira e que se somam a todos os demais partidos (centrão, pantanano e do próprio bolsonarismo) que apoiam o atual governo (um governo racista, machista, xenofóbico, homofóbico, bajulador dos EUA, incentivador da violência e favorecedor do grande capital nacional e internacional que vem levando o Brasil à perda da sua soberania).

Vale salientar que as eleições municipais no Brasil sempre foram as mais despolitizadas, sobretudo nos pequenos e médios municípios com manipulações das informações (fakes News), a compra de votos, o coronelismo, o patrimonialismo e todos os “ismos” possíveis e imaginários que vem se agravando nestes últimos tempos, inclusive com o aumento da violência na própria campanha eleitoral. Neste ano de 2020, foram assassinados 84 candidatos no Brasil e mais 80 sofreram violência por armas de fogo ou brancas, mas conseguiram sobreviver (https://www.correiobraziliense.com.br/brasil/2020/11/4888902-pelo-menos-84-candidatos-nas-eleicoes-foram-assassinatos-durante-as-campanhas.html) . Isto é um dado assustador e deve nos fazer refletir o porquê deste crescimento da violência nestes últimos tempos. Temos clareza que o nosso país vive uma das mais profundas crises da sua história. Vivemos uma falsa democracia (democracia burguesa) cujo modelo não garante direitos aos mais pobres e vulneráveis e, sequer, os direitos ambientais da Mãe Terra são respeitados. Se por um lado esta “crise do capital” vem gerando milhões de desempregados, miseráveis e famintos, por outro lado assistimos em plena pandemia o aumento exorbitante dos lucros de uma pequena gleba de mais ricos, puxado pelo capital financeiro, cujo poder (em seu três níveis – legislativo, executivo e judiciário) tem favorecido e se colocado totalmente a seu serviço. Interessante frisar além da politica partidária favorável ao sistema de mercado neoliberal, aquilo que poderia fazer o “contrabalanço” neste “mundo cruel do mercado”, que seria a Suprema Corte, tem demonstrado seu compromisso não com a defesa de direitos (sociais, ambientais e políticos) mas com o sistema capitalista selvagem neoliberal. Como veiculou estes dias nas mídias um “meme”: “A Justiça não é cega. Ela é paga para não ver”, nos faz enxergar que nossos “Poderes” estão bem corrompidos e vêm sendo aliados às ações descabidas de grupos inescrupulosos que atentam inclusive contra a soberania nacional. Aqui “ganha quem paga para ver”. O partidarismo, a ambição pelo ter dinheiro e poder já não fazem da justiça, imparcial diante das próprias injustiças socioambientais e políticas. A máxima da Conferencia de Medellin e Puebla, em 1968 e 1979 respectivamente, “ricos mais ricos à custa de pobres cada vez mais pobres” vale ainda para hoje e com muito mais gravidade, porque parece-nos que a população brasileira enveredou pelos caminhos da “demência política”, que não consegue enxergar a própria realidade e muito menos tomar postura frente à mesma. Esperamos que nos acordemos dessa letargia social para assumirmos o protagonismo de um debate que leve a população a refletir sobre a possibilidade da aglutinação de forças para a construção de um projeto popular de nação onde a vida, e não lucro, esteja em primeiro lugar. Elementos para isto temos. Nossa Igreja tem uma riqueza imensa a partir daquilo que lhe é próprio, a EVANGELIZAÇÃO, levando em conta seu Ensino Social, sobretudo nestes tempos de Francisco. A partir deste ponto de vista como uma instituição vinculada à Igreja Católica e a partir da ótica dos pobres de quem somos servidores, olhando a realidade das comunidades onde atuamos e vendo os resultados eleitorais destes últimos pleitos – e não somente isto - nos questionamos: será que estamos sendo fieis aos propósitos do SAR desde sua criação há 71 anos, à sua metodologia (inclusive fundada e enraizada na Ação Católica) para nos perguntar: onde e como estamos incidindo na sociedade e se temos clareza da nossa obrigação em relação à construção do poder popular numa nação esfacelada por este maldito sistema capitalista?

Diác. Francisco Adilson da Silva-Coordenador Executivo do SAR

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