O SAR EM CADA DÉCADA

A evolução da história do SAR acompanha o contexto sócio político econômico e eclesial ao longo de quase sete décadas de existência, como enumeramos a seguir:

1. Nos anos 50,
o foco do SAR foi Educação e Assistência Social, partindo de estudos e diagnósticos da situação do campo no Estado do Rio Grande do Norte. No tocante à luta por melhores condições do camponês em sua terra e em seus territórios, o SAR realizou as chamadas “Missões Rurais”, ofertando serviços de assistência técnica e orientações diversas. Lembremo-nos que estamos nesta época vivendo o início da efervescência do êxodo rural, sobretudo a saída dos nordestinos para o sudeste em busca de condições de vida. A Igreja de Natal, através do SAR quer ajudar deste modo na permanência das pessoas no campo.

2. No inicio dos anos 60,
o SAR concentrou sua ação a partir de três grandes objetivos: Educação, Desenvolvimento Econômico e Mudanças de Estruturas Politicas Sociais. Merecem destaque o trabalho de "educação de base" e as Escolas Radiofônicas, com forte repercussão da ação do Movimento de Educação de Base - MEB no contexto local.

Em parceria com algumas Organizações Públicas obteve a criação da Associação Nordestina de Crédito e Assistência Rural - ANCAR no Rio Grande do Norte que, vinte anos depois, transformou-se na tão conhecida EMATER. Neste período destacaram-se também as experiências de "colonização rural"(ensaio de “reforma agrária” em terras pertencentes a Arquidiocese de Natal), das quais ressaltamos as duas maiores que foram no Pium(Parnamirim\Nísia Floresta) e em Punaú(Rio do Fogo), assentando agricultores sem terra e possibilitando “políticas” de convivência com a terra – desde as orientações técnicas até mesmo colaborando na busca de recursos através de pequenos projetos para “fixá-los na terra”.

3. Neste período é bom lembrar que o Nordeste já está começando a vivenciar algumas Políticas Públicas implementadas pelo Governo Federal, fruto dos dois Encontros dos Bispos do Nordeste (em 1956 em Campina Grande e em 1959, em Natal). Ambos encontros contaram com a presença do então Presidente da República, Juscelino Kubitschek e que resultaram na criação de várias Políticas, como a criação da SUDENE, do Banco do Nordeste, da LBA, a construção de grandes barragens, entre outras ações que incidiram no desenvolvimento do Nordeste (vide o livro do encontro dos Bispos do Nordeste, cujos anais foram organizados por D. Jaime Vieira Rocha e publicado pela EDUEPB: “Sob os signos da esperança e da responsabilidade social. Anais do primeiro e do segundo Encontros dos Bispos do Nordeste”)

4. Outra referência importante dessa época(1950 a 1970) foi o processo de Sindicalização Rural e a iniciativa das "Campanhas de Politização". Esse processo se desdobrou em múltiplos outros processos: motivação e treinamento de líderes sindicais; fundação dos sindicatos rurais; organização e plano de ações para os sindicatos. Tais ações geraram um dos programas mais polêmicos implementados pela Igreja que é o da organização dos trabalhadores(as) na ação sindical. E isso acontece em pleno período da Ditadura Militar, resultando em perseguições e prisões de trabalhadores, como foi, entre os vários casos, a prisão do agricultor e sindicalista José dos Santos, um dos também fundadores da ACR(Animação dos Cristãos do Meio Rural).

5. Nos anos 70, incentivado pelo trabalho das Comunidades Eclesiais de Base-CEBs que estava em plena efervescência, iniciou-se, no Brasil, um momento histórico com o surgimento de novos movimentos sociais populares. Neste período surgem também as Comissões Pastorais da CNBB que se propõem acompanhar questões cruciais, como a da Terra(CPT) e a questão indígena(CIMI), etc.

O SAR nesta época fez uma mudança em sua postura em relação à realidade social, adotando estratégias que estimularam um processo de maior politização. O trabalho central da instituição, nesse momento, passou a ser o Programa de Educação Política, ao qual todos os outros ficaram subordinados.

A luta pelo acesso e permanência do homem e da mulher na terra, como sua luta principal, se desdobrou em ações concretas: organização de comunidades pela defesa de suas posses; enfrentamento de grileiros; mutirões para a demarcação de terras e construção de cercas; requisição de títulos de posse; e envolvimento nos sindicatos para defendê-los enquanto órgão de defesa dos trabalhadores. Este foi o momento em que surgiram e se intensificaram as greves dos canavieiros, os conflitos de terra e a luta do "novo sindicalismo".

6. Nos anos 80, o SAR contribuiu com o surgimento da Federação dos Trabalhadores Rurais – FETARN / RN e intensificou à luta juntos aos trabalhadores e trabalhadoras do campo pela posse e permanência na terra. Neste período acontece o assassinato de dois trabalhadores: Edmilson(1986) em Lagoa do Sal(Touros) e em 1991, Sebastião Andrade que é assinado na Praia do Rosado(Porto do Mangue) como fruto da luta dos trabalhadores(as) pela permanência e posse da terra. O SAR neste contexto assume um importante papel no acompanhamento aos trabalhadores e surgem, como fruto desta ação alguns Assentamentos de reforma agrária, sobretudo na região de Macau e em Touros. Esta ação se intensifica com a criação do MST nacional e com sua chegada ao RN em 1989. Também nesta década o SAR se envolveu e colaborou, em parceria com outros movimentos sociais, junto às comunidades acompanhadas, com todo o processo de construção do que resultou na Constituição Cidadã de 1988.

7. Nos anos 90, lutou pela implantação do Fórum do Campo Potiguar – FOCAMPO, que posteriormente desdobrou-se em outras ações no Estado. Além disso, se tornou naquela época, um importante parceiro nas diversas lutas empreendidas por organizações vinculadas aos trabalhadores(as) como a Central Única dos Trabalhadores do Rio grande do Norte – CUT/RN, a Associação de Apoio as Comunidades do Campo – AACC, a Comissão Pastoral da Terra – CPT, o Movimento dos Sem Terra – MST, o Serviço de Apoio aos Projetos Alternativos e Comunitários – SEAPAC - RN e outros, ora cumprindo um papel de mediador nos conflitos e lutas no campo, ora desempenhando papéis reivindicatórios de mudanças nas várias linhas de ação política dos movimentos rurais.

8. A partir dos anos 90, o cenário sócio-político brasileiro sofreu mudanças: na Constituição Federal aprovada em 1988 havia sido assegurado um conjunto de direitos sociais muito importantes, regulamentados por Leis Complementares. Merecem destaque: a Lei Orgânica da Saúde, que dispõe sobre o Sistema Único de Saúde; a Lei Orgânica da Assistência Social, a Lei 8069/90; o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA; a Lei de Diretrizes de Bases da Educação – LDB, garantindo o princípio da participação popular. O SAR novamente procura se adaptar a estas mudanças para continuar contribuindo com o processo de construção da cidadania e desenvolvimento.

9. Nesse novo contexto, o SAR mais uma vez reorientou sua linha política de ação. Consciente dos novos desafios passou a desenvolver ações pela consolidação do conjunto de direitos sociais acima mencionados, viabilizando a implementação de políticas públicas, mobilizando a sociedade para a utilização dos instrumentos e mecanismos da democracia participativa e espaços de participação popular, favorecendo o controle social das Políticas Púbicas, disseminando conhecimentos e práticas inovadoras, por meio da construção do orçamento publico.

10. A partir de 2013 (com a chegada de D. Jaime Vieira Rocha, como Arcebispo de Natal) o Setor Social da Arquidiocese começa a ser reestruturado e após uma avaliação externa, foi construído o Planejamento Estratégico contemplando as várias Pastorais Sociais e Serviços e formando uma rede, denominada REDE SAR. Deste modo, o SAR como Organização Social tendo personalidade jurídica própria passou a ser a instituição “guarda chuva” da Rede SAR e agregou na sua nomenclatura o termo “Urbano”, passando a ser chamado de SERVIÇO DE ASSISTÊNCIA RURAL E URBANO-SAR.

No planejamento estratégico da REDE SAR e, por conseguinte, do SAR de uma maneira especial pelo seu papel como elemento e instituição jurídica que “dá corpo” à Rede, foram definidas SEIS LINHAS DE AÇÃO que são assumidas e desenvolvidas no intuito de fortalecer a articulação interna e a comunicação externa, trabalhando em parceria com as organizações da sociedade civil, na medida em que vamos mobilizando recursos materiais e financeiros.

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